SANTA CASA DA MISERICÓRDIA DE ALPALHÃO

Desde a sua fundação, há mais de 300 anos, que a Santa Casa da Misericórdia de Alpalhão se dedica aos mais carenciados desta Vila.

Anterior à Santa Casa já existia uma Irmandade organizada, no entanto, os primeiros Compromissos da Instituição, datam de 22 de Maio de 1675, aprovados pelo Príncipe Regente D. Pedro II, filho de D. João IV. Esses novos Estatutos vão procurar remediar alguns inconvenientes, pois, mesmo querendo ajudar a população carenciada da Vila, a Irmandade tinha muito do seu tempo ocupado nos actos fúnebres dos Irmãos.

Esses compromissos vão obrigar a que não existam mais que cem Irmãos, sendo obrigatoriamente cinquenta da classe Nobre e cinquenta de classe Plebeia. Teriam de ser humildes, honestos, honrados e principalmente tementes a Deus. Desses cem Irmãos elegiam dez: cinco de cada condição (Irmãos de Mesa), o Provedor, o Escrivão e o Tesoureiro para servir no ano em questão. Os restantes teriam que prestar todos os serviços aos quais eram obrigados desde que fossem chamados pelo Provedor e Irmãos de Mesa.

Segundo os compromissos, a Irmandade tinha de se reger de acordo com as catorze "Obras de Misericórdia", sendo sete espirituais e sete corporais.

As sete obras corporais são:

- Dar de comer a quem tem fome;

- Dar de beber a quem tem sede;

- Vestir os nus;

- Dar pousada aos peregrinos;

- Assistir aos enfermos;

- Visitar os presos;

- Dar sepultura aos mortos;

As sete obras espirituais são:

- Dar bom conselho;

- Ensinar os ignorantes;

- Corrigir os que erram;

- Consolar os tristes;

- Perdoar as injustiças;

- Sofrer com paciência as fraquezas do próximo;

- Rogar a Deus pelos vivos e pelos defuntos;

Esses Compromissos são a única informação que existe dessa época, pois actas, livros de Irmãos, arrematações e tudo mais, só já aparecem datados de 1781 sendo ainda regidos por esses Compromissos.

Nas actas de 1781 e posteriores, existem já registos de uma maior e mais ampla actividade da Irmandade da Santa Casa da Misericórdia de Alpalhão, como as petições (pedidos feitos à Santa Casa por pessoas carenciadas, que podiam ser, ajudas em dinheiro, roupas, comida, pedidos de internamento hospitalar, tratamento noutros hospitais e até ajudas para criar bebés ou órfãos).

Os segundos Compromissos datam de 9 de Maio de 1889, nos quais se deliberou que só deveriam pertencer sessenta Irmãos à Irmandade, passando a eleição a realizar-se no segundo Domingo de Junho de cada ano em vez de ser no dia 2 de Julho, dia da Visitação a Santa Isabel, ficou também deliberado que não podiam pertencer Irmãos com idade superior a sessenta e cinco anos.

Durante aproximadamente vinte e dois anos a Santa Casa da Misericórdia regeu-se com esses Estatutos, neles ficou deliberado que a casa passaria a denominar-se de Irmandade da Misericórdia de Alpalhão por troca com Irmandade da Santa Casa da Misericórdia de Alpalhão. O número de Irmãos passou a ser ilimitado, de ambos os sexos, de qualquer idade e podiam dividir-se em três condições: 1ª, 2ª e beneméritos aos quais podia pertencer qualquer pessoa. No entanto, eram apenas elegíveis os Irmaõs de 1ª condição e do sexo masculino. A data das eleições também foi alterada, passando a realizar-se no penúltimo Domingo do mês de Junho de cada ano. Novos Estatutos são aprovados em 1935, onde se delibera que podiam pertencer à Irmandade irmãos ordinários, benfeitores e beneméritos. Aos irmãos ordinários podiam pertencer todas as pessoas desde que fossem naturais de Alpalhão ou residentes na Vila há mais de seis meses, que tivessem um bom comportamento moral e civil, que exercessem profissão ou possuíssem bens que lhes permitissem o pagamento das suas quotas, que não podiam ser inferiores a 2$50 por trimestre, acrescida de 2$50 de jóia do 1º ano de inscrição. Os irmãos benfeitores eram todos os indivíduos que possuísem as qualidades acima transcritas diferenciando-se no valor da quota, pois pagavam 120$00, mais 30$00 de jóia. Para poder ser Irmão benemérito teriam de conceder à Misericórdia qualquer donativo igual ou superior a 5.000$00.

Em todos os estatutos acima mencionados os objectivos desta Misericórdia baseavam-se nos seguintes aspectos:

- Exercer a caridade, praticando actos de beneficiência e Obras de Misericórdia;

- Receber e tratar gratuitamente no Hospital os doentes realmente pobres, residentes em Alpalhão ou que se encontrassem acidentalmente na Vila;

- Prestar socorros domiciliários e ajudar os indigentes com esmolas;

- Acompanhar os enterros de qualquer Irmão e promover o funeral das pessoas pobres, desde que as famílias não possuíssem meios para o fazer;

- Zelar pelos interesses da Santa Casa e promover o seu engradecimento e prosperidade.

Actualmente é regida por novos estatutos aprovados em Assembleia no dia 3 de Maio de 1981. Esses estatutos são já aprovados por uma nova Assembleia Geral, pois no dia 7 de Abril de 1975 o Núcleo do Movimento de Esquerda Socialista de Alpalhão ocupou o Hospital da Santa Casa da Misericórdia, alegando que este não tinha utilidade nenhuma, logo passava a funcionar para o bem da comunidade. Nessa altura a casa ficou a ser gerida por uma Comissão Directiva eleita pela população na Casa do Povo da Vila.

Essa gerência teve pouca duração, pois em janeiro de 1981, tomou posse a nova Mesa Administrativa porque o pároco da Vila, Padre Joaquim Caetano, tomou iniciativa de reunir no Centro Paroquial, os antigos e novos Irmãos para voltar a dar vida a esta Irmandade tão necessária e assim volta a assumir as suas responsabilidades. Reuniram-se quarenta Irmãos de ambos os sexos, passando a pagar uma quota mínima de 100$00 por ano.

Foi eleita uma nova Mesa Administrativa que continuou com o projeto do Centro de Dia e tem como ajudas cerca de um milhão e duzentos escudos do Concelho Regional da Segurança Social, mão-de-obra por parte da Câmara Municipal de Nisa e ajuda da população desta vila. Foi também entregue um donativo de um milhão de escudos pela Ex.ª Sr.ª Dona Margareth Kendall Villas-Boas e seus filhos, ficando decidido que a Sala principal do Centro de Dia tivesse uma placa com a inscrição: "Sala Margareth Kendall Villas-Boas".

As obras do tão esperado Centro de Dia foram concluídas no dia 15 de agosto de 1986, tendo sido inaugurado a 26 de outubro do mesmo ano com o nome de Centro de Dia Nossa Senhora da Redonda.

Mais tarde, em junho de 1988 foi possível iniciar-se a valência de Apoio Domiciliário pois, com o apoio do Centro Regional de Segurança Social, foi possível a aquisição de um veículo.

Em 1990 começa o sonho da construção de um Lar, sonho esse que se torna realidade a 26 de outubro de 1997 com a inauguração do Lar Nossa Senhora da Redonda, ficando, assim, com quatro valências, ou seja, Lar, Centro de Dia, Apoio Domiciliário e Apoio Domiciliário Integrado.

Em 27 de junho de 2004, aproveitando as antigas instalações do Centro de Dia, foi inaugurado o Museu da Misericórdia que resulta da necessidade de reunir, num só espaço, vários objetos religiosos que se encontravam dispersos por vários edifícios.

Mais tarde, em , foi criada a Creche "A Ternura dos Pequeninos", nas antigas instalações da escola primária, destinada a crianças entre os 4 meses e os 3 anos.

Neste momento, está em curso o projeto para ampliação das instalações do Lar de Nossa Senhora da Redonda.